Como Estragar Tudo

Um blog de erros, por Gustavo Cavinato.

Monday, May 29, 2006

GUIDED BY VOICES

Não sei porque - talvez por uma falha de caráter
ou algo parecido - eu nunca tinha ido atrás de
qualquer coisa dos caras do Guided by Voices,
de quem eu já havia ouvido falar um bocado por aí.
Então eis que, duas semanas atrás, acho uma música
deles no meu computador, um amigo me mandara
meses atrás e eu simplesmente esqueci de ouvir.

Pois bem, o minuto e vinte de "Shocker in Gloomtown"
simplesmente me arrebentou e me convenceu, sozinho,
a encomendar QUATRO discos dos caras, sendo que
nenhum deles tinha a tal música. Ok, parece uma burrice
e tanto comprar quatro cds de uma banda que só conheço
uma mísera canção, mas a desgraçada era tão boa, e a
oferta que pintou nas Livrarias Curitiba (NOVE reais cada
disco) era tão tentadora, que não restou qualquer coisa
senão arriscar.

E deu certo.

O pacote chegou aqui no sábado, ainda não deu tempo pra
escutar tudo com a devida atenção, mas de primeira posso
afirmar duas coisas. Uma é que "Alien Lanes", o álbum, é
uma obra-prima de deixar fãs de Beatles com a cara no chão.
A outra é que o Guided by Voices é uma daquelas bandas
que faz parecer fácil escrever músicas, tamanha a
quantidade e qualidade das faixas - não é à toa que são
influenciadíssimos pelo Wire. Sim, uma banda perigosa,
daquelas que te faz pensar em largar o emprego pra
tocar guitarra e gravar discos pro resto da vida,
mesmo que isso nunca venha a pagar as contas e a cerveja.
O Robert Pollard, líder do Guided by Voices, é um cara muito,
muito talentoso, que consegue fazer misérias com três
ou quatro notas. E quem faz uma música como a gloriosa,
estupenda e sensacional "The Official Ironmen Rally Song"
merece ser aplaudido. De pé.

Talvez escreva mais sobre eles quando digerir todo
o material - quatro cds, com uma média de 23 (!)
músicas cada um não é pouca coisa. Mas já recomendo
a promoção das Livrarias Curitiba; é só entrar lá e
pedir os cds de nove reais do Guided by Voices.
Vale MUITO a pena.

Sunday, May 28, 2006

AT THE MOVIES

Cachè, do Michael Haneke, foi o filme do sábado,
o que levou Melhor Diretor em Cannes no ano passado.
A sessão estava tomada por velhas usando perfumes
violentos que disputavam a tapa a atenção das minhas
narinas. Difícil alguém com rinite alérgica - meu
caso - não explodir numa situação dessas, mas por milagre
isso não aconteceu.

Sobre o filme: muito bom. A atuação do casal de
protagonistas é sensacional, e o clima de tensão
desgraçado que fica no ar durante a projeção é
algo lindo de se ver. O cara sai com os nervos
pulsando. Para se ter uma idéia: depois do filme,
um cara que espirrou alto na calçada quase me
fez capotar o carro, assim, no susto.

E ainda teve o momento bônus genial, que foi ver
o Lauro Quadros reclamando do final do filme na
saída do cinema. Valeu umas seis vezes o preço
do ingresso.

Tuesday, May 23, 2006

NOPE, NOPE

Ator decadente de filmes de cowboy abandona set de filmagem
e volta para a cidade de sua mãe, onde descobre ter um filho.
A premissa é interessante até demais, mas encarar
ESTRELA SOLITÁRIA, do Wim Wenders, no domingo
não foi tarefa das mais fáceis. Fazia tempo que
não assistia a um filme tão arrastado, e arrastado no pior
sentido da palavra. Nosso amigo alemão conseguiu fazer com
que uma fita de duas horas parecesse ter quatro horas e
meia. Na primeira vez que olhei pro relógio, os ponteiros
marcavam quarenta minutos cravados, e eu achando que faltava
menos de vinte pra acabar. Caceta, nada contra filmes lentos,
e esse aqui até tem um bom momento aqui e acolá, mas
o resultado final podia ser mais do que medíocre. TRÊS ENTERROS,
por exemplo, tem quase a mesma duração e é terrivelmente
melhor.

Mais sobre PINK FLAG, do Wire, nos próximos posts.
Ah, já falei isso, não?

Sunday, May 21, 2006

PÉSSIMA FRASE PARA SE ESCUTAR EM UM FINAL DE NOITE

"Você está ouvindo a Rádio McDonald´s!"

Friday, May 19, 2006

PÂNICO NO TREM

Hoje eu voltava de trem pra Canoas -
depois de um dia bizarro, em que passei
meu horário de almoço inteiro debaixo
de chuva, por pouco não pegando uma
pneumonia merecida - quando entra uma
velha na Estação Farrapos e pára do meu
lado. Não há um lugar pra velha sentar
e, embora o código de conduta dos seres
humanos diga que devemos ceder o banco
a velhos, gestantes e pessoas com a perna
engessada, nenhum dos trabalhadores
cansados parecia disposto a levantar e
passar o resto da viagem de pé em plena
noite de sexta-feira, justamente a mais
exaustiva da semana.

Então a velha puxa duas agulhas de tricô
e um novelo e começa a tricotar. De pé.
Do meu lado. Não é preciso explicar que.
para fazer tricô, é preciso usar as
duas mãos. E ao fazer isso em pé, é evidente
que o único ponto de eqüilibrio da pessoa
são as próprias pernas. Aí é só deduzir:
se uma velha de 70 anos , segurando a barra
com as mãos, tem uma chance de 50% de cair
no chão e fissurar o fêmur com qualquer
movimento brusco do veículo, imagine essa
mesma velha segurando uma agulha de tricô
em cada mão, com o trem sacodindo
muito mais do que em um dia normal,
por causa da chuva.

Suei frio durante toda a viagem. Com o trem
lotado, não havia como me afastar o suficiente
do perigo que era a mulher. A cada balançada
do vagão, eu via a velha caindo por cima de mim,
a agulha entrando lentamente no meu olho
direito, uma gosma amarela saindo como aquela
japinha do Hostel. Outra hora, era a ponta
furando minha jugular, o sangue espirrando no
paletó do sujeito ao lado, eu caindo no chão e a
velha se curvando em minha direção pra pedir
desculpas. Ou então eu já na maca, sendo
colocado na ambulância com o intestino
perfurado em três lugares por uma agulha
de tricô, a velha do lado de fora rezando um
Pai Nosso atrás do outro.

Sabe-se lá como, mas a mulher não caiu e
não feriu nenhum passageiro até a
Estação Canoas. Desci tendo um pequeno
ataque de pânico e parei de tremer quando
cheguei no portão do meu prédio.

E mais sobre Pink Flag nos próximos capítulos.
Over and out,

Thursday, May 18, 2006

SEDEX

Depois de uma noite luminosa de quarta-feira,
que incluiu uma sessão do muito bom
"A Lula e a Baleia", além de panchos e
pastéis uruguaios na seqüência, eis que chego
em casa um pouco depois da meia-noite e
me deparo com o pacote do Sedex já aberto -
meu irmão tinha chegado em casa antes de
mim e abriu pra pegar o cd dele, de uma
banda pré-adolescente chamada Osker.

Do lado do pacote aberto, o meu cd,
PINK FLAG, do Wire. Tou com ele na mão
agora, já escutei umas duas vezes e, caramba,
prefiro não dar uma opinião definitiva sobre ele
agora (parênteses: o que posso adiantar é que
"Mannequin" é uma música estrondosamente GENIAL.
fecha parênteses), mas tem tudo pra ser:

1) o disco que vai me fazer comprar uma guitarra
nova;

ou

2) o disco que vai me fazer desistir da guitarra, dos
microfones e de qualquer coisa que chegue perto
de um acorde pro resto da minha vida.

Façam suas apostas.

(CENSURADO - piada gratuita envolvendo um
pavão por nada - CENSURADO)

Obrigado.

Sunday, May 07, 2006

DOIS FILMES

Duas idas ao cinema no sábado, que valeram
muito a pena.

O primeiro foi Crime Ferpeito, do Alex De La Iglesia.
O cara é foda: conseguiu pegar o senso de humor
doentio dos seus primeiros filmes (como o glorioso
Ação Mutante, de 93) e transformar aquilo em algo
mais acessível, mas sem diluir a anarquia e as
maluquices das obras anteriores. O resultado é um
filme muito, muito bom, humor negro de primeira
com picos hilariantes, e com um protagonista genial.
Recomendo.

O outro, na pré-estréia da meia-noite, foi Três Enterros,
dirigido pelo Tommy Lee Jones. Esperava algo bem diferente
do que vi, mas, caceta, é um belo dum filme. Amargo,
dolorido, sensível e com uma atuação ótima do diretor.
Aguardo ansioso pelo próximo filme do cara atrás
das câmeras, esse aqui foi um bonito cartão de visitas.
Vai com fé que vale a pena.

Ah, o bom e velho Fiesta voltou pra casa, depois de
dormir alguns dias na oficina. E, óbvio, já foi recebido
com uma rajada de cocôs de pomba. De volta ao lar.

Monday, May 01, 2006

15 DIAS ESTRAGANDO TUDO

Duas semanas cheias de emoção e contratempos por aqui,
a começar pelo primeiro dos três feriados consecutivos que
assolaram os nossos calendários, o de Páscoa. Devido a
um cronograma apertado (e conseqüentemente surrealista)
de filmagens de comerciais, fui incumbido de acompanhar
gravações na sexta, no sábado e no domingo. Mas tudo
acabou pra mim no sábado à noite mesmo, ao voltar do estúdio,
lá pruns lados de Porto Alegre que eu desconhecia por completo,
entrar na contramão de uma avenida movimentada e bater
de frente num Tipo cheio de gente dentro.

Apesar de não ter absolutamente nenhum pingo de razão
na história - afinal, o idiota que tava na contramão era eu,
e não o outro carro - fiquei tão, mas tão puto com a situação
que por uma fração de segundo me passou pela cabeça discutir
com o motorista e a mulher dele, como se as leis estivessem
do meu lado. Não sei, acho que foi pelo minuto histérico
da mulher no momento da batida (uma batida relativamente
leve, por sinal), que levou-a pra fora do carro falando, com
as mãos na cabeça, "meu Deus, tem duas crianças no carro!".
E eu pensando, "desculpe, da próxima vez eu aviso pra
tirar as crianças antes de bater", e essas merdas.

Mas enfim, acabei dentro do carro batido, esperando as
autoridades chegarem, enquanto uma chuva fina molhava
o pára-brisas do Fiesta amassado e meu time levava um
gol de um sujeito chamado Abedi.

Tava ruim demais pra ser verdade.

Os dias seguintes não foram muito melhores: consegui,
na mesma semana, cancelar DUAS viagens de férias,
além da terrível suspeita de ter rachado meu polegar de
novo, a julgar pelo hematoma que apareceu ali mais uma
vez.

No final das contas, pelo menos uma grande, grande banda
apareceu nos meus laudos; uma banda que eu já tinha
ouvido falar e que, tudo indica, tem grande potencial pra
mudar minha vida musical pra sempre: Wire. Ex-Lion Tamer
é a música que não tem como tirar do meu Winamp, e olha
que eu tento, mas caceta, não dá, é um grude genial no
ouvido. Vou comprar o cd dos caras no escuro e depois
comento por aqui.

Olha só, usei um ponto-e-vírgula ali em cima. =)