Como Estragar Tudo

Um blog de erros, por Gustavo Cavinato.

Wednesday, April 12, 2006

I PUT HER ON THE GUEST LIST AT THE SHOW

Estava eu almoçando com a TV ligada em um desses
sábados de verão quando, para minha surpresa, começa
a tocar uma música da melhor banda do mundo,
Screeching Weasel, durante um quadro do Patrola.
Atônito, aumentei o volume da TV e, sim, era Guest List,
uma das canções mais sensacionais que os caras
já gravaram, tocando enquanto a Mauren Motta preenchia a tela
com uma reportagem sobre sei lá o que. Para confirmar
que eu não tava louco, o grande Patrick me falou que
acordou esses dias, ligou a TV e pimba, lá estavam
os acordes simples e gloriosos de Guest List
emoldurando uma entrevista no Patrola.

A pergunta é: alguém aí conhece alguém que
trabalhe na produção do programa? Preciso conhecer
e cumprimentar a mente genial que me aprontou essa.

Sunday, April 09, 2006

A PIOR TORCIDA DO RIO GRANDE?

Voltei faz poucas horas do Beira-Rio de um jogo em que o Inter,
meu time desde 82, perdeu o campeonato regional por ter
empatado com o Grêmio. Foi meu primeiro Gre-Nal no estádio,
um tabu que sabe-se lá porque eu ainda não tinha quebrado.

Mas enfim, o que cabe ressaltar não é nem o jogo, nem o
resultado, tampouco o campeonato perdido, mas o comportamento
surrealista da torcida do Internacional em relação ao próprio time.
Lá pelos 35 minutos do primeiro tempo, a arquibancada superior
inteira começou a vaiar o time e pedir a saída do Michel, um cara
que faz uns 20 jogos que é contestado na escalação.

Ok, eu também era contra a escalação do sujeito, mas aí a gritar
"Ei, Abel, tira o Michel!", um coro de pelo menos vinte mil
pedindo a substituição do cara NO PRIMEIRO TEMPO DE UMA
FINAL DE CAMPEONATO, ah, cacete, isso é inaceitável.
O próprio Michel olhou para a arquibancada, incrédulo com
a situação, e daí pra frente era vaiado a cada toque seu na bola.
Era uma massa de colorados praticamente TORCENDO para
um jogador do seu próprio time ERRAR, para aí então ser
finalmente substituído. Os outros jogadores se desesperaram,
pedindo para que os torcedores parassem com aquilo, mas não
adiantou muito. E isso, repito, NUMA FINAL contra o principal
adversário, no momento em que o time mais precisa do apoio
da sua torcida. Eu mesmo quase dei uma garrafada na cabeça de
um colorado que puxava o tal coro do "tira o Michel". Não fosse
o caso de o cara ter o dobro do meu tamanho e de eu não ter
uma garrafa à mão e eu certamente o teria feito.

Sou colorado, mas é triste constatar que a torcida do Inter só
apóia o time quando tá ganhando. Do jeito que vai, o Internacional
NUNCA vai ser campeão de PORRA NENHUMA jogando no Beira-Rio.
Com uma torcida que viaja quilômetros pra torcer CONTRA
O PRÓPRIO TIME, como eu vi hoje à tarde, só jogando final
fora de casa mesmo. É de foder.

Monday, April 03, 2006

TRAPACEANDO

Ok, mal recomecei com essa coisa de blog e já fiquei
uma semana sem postar, o que obviamente é um péssimo
sinal. Então, para manter a chama acesa, preciso contar uma
historinha rápida: no ano passado, um pessoal legal resolveu
criar um site para escrever sobre filmes esquisitos - leia-se
obscuros, bizarros, estapafúrdios e não raro geniais, que
assolam prateleiras empoeiradas de locadoras do mundo
inteiro. O tal site saiu do papel e virou o Cineprojeto 365,
com textos diários de gente entendida da coisa, como o
Carlos Primati, o Carlos Reichenbach e outros. Entre os
outros, tou eu perdido ali no meio, brincando de escrever
sobre filmes que vi e achei que merecessem um texto -
nem que seja para poupar o abençoado leitor de assistí-lo.

Como o Cineprojeto 365 anda parado por motivos diversos,
tou trapaceando e postando aí embaixo uma resenha inédita
que seria - e talvez seja um dia - publicada no site. Desculpem
pela linguagem formal do negócio.

GAIOLA DA MORTE

Título Nacional: Gaiola da Morte
Direção: W. A. Kopeski
Elenco: Paulo Zorello, Cláudia Abujamra, Mestre Maurício,
Laerte Ferrir, Nicanor Majado Filho
Ano: 1991
País: Brasil
Duração: 80 min.

Sinopse: O campeão mundial de full-contact Paulo Zorello
envolve-se em uma trama de violência e morte, depois que
um dos lutadores da sua academia desaparece ao viajar para
um misterioso campeonato.

Comentário:
O final dos anos 80 e início dos 90 foram marcados
por um fenômeno que assolou as locadoras: os filmes de kickboxing.
Normalmente os enredos das fitas eram mero pretexto para
amontoar o máximo de porradas eo maior número possível
de caretas dentro de 90 minutos. É o caso desse Gaiola da Morte.

Embora o Brasil não seja exatamente uma potência do gênero,
Gaiola da Morte pode ser considerado uma curiosa resposta nacional
aos filmes desse tipo. O elenco reunido pelo produtor Fauzi Mansur
e o diretor Kopeski fala por si só: além do campeão mundial de
full contact da época, Paulo Zorello, há um punhado de outros
lutadores desconhecidos do grande público, incluindo aí nomes
do quilate de Mestre Maurício, só para citar um deles.

A trama também segue a mesma linha. Nicanor, lutador
da academia de Zorello, é convidado para um obscuro
campeonato de kickboxing e nunca mais retorna. Aí a irmã
do lutador sumido pede ajuda de Zorello para encontrar o irmão.
Em pouco tempo, os dois descobrem uma espécie de pousada
que é palco de um esquema de lutas clandestinas, onde
os participantes são mantidos como prisioneiros e obrigados
a se enfrentarem até a morte em grandes gaiolas cercadas
por espetos de bambu. Não é difícil deduzir que Zorello
e a irmã do sujeito se apaixonam, e nem que o campeão
desce a lenha em todo mundo até o final da fita.

Como a maioria dos filmes baratos de kickboxing, Gaiola da Morte
tem muitos problemas, a começar pelo seu protagonista.
Paulo Zorello pode ter sido um grande lutador, mas seu
desempenho como ator é abominável. Além disso,
o bigodinho canastra e a jaqueta laranja com cordinhas que
ele veste em boa parte do filme - inclusive quando está
surrando bandidos - tornam impossível qualquer tentativa
de se levar o cara a sério. Adicione a isso o roteiro fraquíssimo,
que expõe Zorello a falas como "puxa, você está sombria!", e pronto,
temos um mico e tanto.

Ainda sobre o roteiro, há situações que desafiam a compreensão
e a inteligência do espectador. Um exemplo é a cena onde Zorello
e a garota escapam de serem envenenados por um gás enquanto
dormem; na seqüência seguinte, vemos nosso herói tomando
um café da manhã tranqüilamente, como se tentativas noturnas
de envenenamento não fossem o suficiente para, no mínimo,
recusar tudo o que viesse da cozinha do tal lugar.

Mas os momentos mais divertidos de Gaiola da Morte estão
sem dúvida alguma no vilão do filme. O sujeito é uma verdadeira
piada ambulante: além do tapa-olho, do cachimbo e das
gargalhadas malignas, a roupa do homem é algo parecido com
um saco de lixo que foi passado em um cortador de papel.
Com tudo isso, ele ainda tem a principal virtude de todo grande vilão:
você passa o filme todo torcendo para que o cara seja espancado
até a morte.

O esquisito uso dos efeitos sonoros também é digno de nota.
Em determinados momentos, chutes soam como tiros, e vice-versa.
A coisa é tão grave que se o espectador fechar os olhos, pode pensar
que está diante de um western. Outro problema é conseguir entender
quem é quem nas brigas que envolvem vários personagens -
como os lutadores menos conhecidos aparecem pouco durante
a trama, o que vemos na hora da pancadaria é um monte
de capoeiristas trocando voadoras a torto e direito,
tornandodifícil de identificar quem são os "bons" e
quem são os "maus".

Por fim, Gaiola da Morte possui o pior defeito que um filme
de porrada pode ter: as lutas são muito mal coreografadas. O elenco,
composto por vários lutadores profissionais na vida real,
simplesmente parece perder as habilidades na tela. No geral,
os movimentos são lentos, os golpes são previsiveis e os momentos
de realismo não existem. Uma verdadeira decepção, já que
o conhecimento dos lutadores poderia ser muito melhor aproveitado
- incluindo aí o talento do próprio protagonista, Paulo Zorello,
um atleta espetacular que foi três vezes campeão do mundo,
com 30 vitórias em 30 lutas. Não bastasse isso, o espectador
ainda é brindado com uma cena capaz de causar derrames nos fãs
de Jackie Chan: um sujeito leva uma cacetada e cai de uma altura
de cerca de dez metros... sobre um monte de feno.
Constrangedor é pouco.

Enfim, com todos os seus defeitos e atuações terríveis,
Gaiola da Morte é uma rara e interessante incursão brasileira
no cinema de artes marciais, e também uma prova irrefutável
de que o sucesso nos ringues do mundo inteiro não é garantia
de triunfo nas telas. Fãs do gênero têm tudo para se divertir a valer.

Onde conseguir:Em VHS, nos sebos e locadoras.

13/01/06